Notas soltas de viagem ao Montimerso

“Além daquela janela

Dois olhos me estão matando:

Matem-me devagarinho,

Que eu quero morrer cantando!”





Cansado de uma viagem que atravessa o Tejo em direção a Sul, num dia quente de Primavera, o pensamento que nos ocorre é que à chegada há calma e tranquilidade de um Alentejo guardado em segredo durante anos.

Passando a Vila de Reguengos e quase no culminar das forças um enorme portão indica a entrada no terreno, que cresce e floresce à nossa frente. Na cabeça a inquietação: Onde andas piscina infinita, alpendre soalheiro de noites quentes e quartos frescos com vista?

O caminho encarrega-se de nos mostrar o maior lago artificial da Europa - o Alqueva no seu esplendor - o “casario” baixo e integrado de forma perspicaz na natureza, os cactos e as suculentas organizadas e em esplendor.

Sempre que visitava o Alentejo, as minhas memórias remontam a sua simplicidade, simpatia das gentes e a incrível qualidade do que ali se produz e se põe à mesa. Este lugar imerso num monte sabe (ainda) melhor com os vinhos produzidos em adegas locais, tão próximas.

Nas minhas noites junto ao fogo, no pátio ou na sala não falta o Livro- desculpa perfeita para me alienar em retiro, sem cerimónia a gozar de um tempo tão meu. E que bom poder desfrutar sem culpas, nem pressas, nem hora marcada de momentos vincadamente meus. Antes de me retirar, levanto o olhar para a noite estrelada. Recosto-me e deixo-me mesmerizar nas constelações e estrelas imensas, no silêncio da noite incrivelmente pacata.

E aqui fiz memórias. Vivi dias diferentes que nem chamei férias, nem retiros. “Só” submersão pura de vida (boa) e renovar do espírito.

De regresso a casa, para além da chuva e da baixa drástica de temperatura, sinto saudade. Deixa uma marca em nós num sentimento de pertença àquela segurança e conforto e o céu estrelado que numa cidade se torna difícil de apreciar.

Na imersão do Alentejo, saio Montimerso….







Travel notes & thoughts of my stay in Montimerso


“Beyond that window

Two eyes are killing me:

Kill me slowly,

For I want to die singing! ”


Tired of a trip that crosses the Tagus river towards the south, on a hot spring day, the thought of calm and tranquility upon arrival, crosses my mind. On of Alentejo best kept secret since long ago.

Passing Vila de Reguengos and running without further strength a huge gate indicates the entrance to the land that grows and flourishes in front of us. My restless head wonders: Where is that infinite pool, that sunny porch on warm nights and where are those cool rooms with a view?

The path leads us to the largest artificial lake in Europe - the Alqueva in its splendor - the “lowered houses” intelligently integrated into nature, the cacti and succulents all is organized and in splendor.

Whenever I visited the Alentejo, my memories go back to its simplicity, the friendliness of its people and the incredible quality on what is produced and set on the table. This place immersed in a hill tastes (even) better with wines produced in local wineries, in the surroundings.

In my nights by the fire, in the patio or in the living room, I never miss my perfect company: a book- the perfect excuse for alienating in retreat, without ceremony so I can enjoy time on my own. And how nice to be able to enjoy it with no guilt, without haste, nor appointments.


Before bed, I look up at the starry night. I sit back and let myself be mesmerized by the constellations and immense stars, in the silence of the incredibly peaceful night


Here I made memories. I lived different days that I could neither call vacations nor retreats. "Only" pure submersion of (good) life and spirit renewal.


Back home, in addition to the rain and the drastic temperature drop, I felt "saudades" with nostalgia. Some kind of mark is made on us with a feeling of belonging to that security and comfort, together with the starry sky that in a city is difficult to appreciate.


In the immersion of Alentejo, I leave Montimerso….

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